A evolução dos jogos de tabuleiro

É difícil chegar numa casa hoje em dia e não encontrar nenhum jogo de tabuleiro. Seja um kit de damas esquecido no canto ou um conjuntinho de dominó guardado na gaveta, esses games ocupam um lugar especial em nossos corações. E também são eles os grandes responsáveis por tornar os encontros de família menos constrangedores.

Mas uma coisa que pouca gente para pra pensar é que alguns desses games possuem milênios de história. O xadrez, por exemplo, se tornou o jogo que conhecemos hoje por volta do ano 1200 D.C, mas suas primeiras versões datam do ano 760 D.C. Ou seja, aquele jogo super estratégico que você vê em Queen’s Gambit (se você ainda não assistiu, aconselhamos) já tinha pelo menos 800 anos!

Hoje nós vamos falar um pouco dessa história dos jogos de tabuleiro. Suas origens, evolução e algumas curiosidades que surgiram no meio do caminho. Vem com a gente.

O primeiro jogo de tabuleiro

Não se sabe exatamente como ou quando a necessidade de atividades de entretenimento se introduziu na sociedade humana. Mas olha… faz tempo.

Os vestígios mais antigos de utensílios utilizados para o divertimento da galera datam de aproximadamente 5.000 A.C, ou seja, pelo menos 7.000 anos atrás. Pequenos pedaços de pedra, conchas e ossos com marcações e gravuras específicas indicam que seu propósito não era apenas decorativo. Os próprios dados de seis lados, como o mundo melhor os conhece hoje, foram criados pelos romanos cerca de 200 anos depois de Cristo.

Fonte: Roman-era dice, Vassil / Wikimedia

O título de jogo de tabuleiro mais antigo da humanidade é, na verdade, meio que dividido entre dois concorrentes: Senet e mancala. Senet, também conhecido como “o jogo dos deuses”, era mandatório em todo churrasco na laje do antigo egito, cerca de 5.100 anos atrás. Ele é comumente mais aceito por especialistas como o primeiro jogo de tabuleiro pois a ele pertence o mais antigo artefato histórico de um tabuleiro (de fato) e peças que o acompanham. Já mancala é muito mais um termo do que um jogo. Existem diversas formas de mancala e o tabuleiro mais antigo conhecido atualmente surgiu cerca de 700 D.C. Porém,  escavadores e arqueólogos encontraram vestígios de buracos feitos no chão de cidades ancestrais acompanhados de pequenas pedras e ossos com parâmetros muito similares aos tabuleiros das mancalas atuais. Seja como for, é uma pena que os manuais de regras desses jogos não tenham durado tanto quanto suas carcaças.

Fonte: Mancala / Stock

Porém, nem tudo está perdido. O Jogo Real de Ur, conhecido nos bares e tavernas da mesopotâmia do séc. XXVII antes de Cristo, foi revivido no século passado por Irving Finkel após a descoberta de tábulas históricas contendo suas regras. Isso faz do Jogo Real de Ur o jogo de tabuleiro mais antigo ainda jogado da humanidade, com singelos 4.650 anos de história.

Fonte: Royal Game of Ur, BabelStone / Stock

A vida representada nos jogos

Assim como nos dias de hoje, a inspiração para os jogos antigos era baseada em elementos cotidianos da vida das pessoas. Hoje, parte da nossa cultura popular envolve zumbis, battle royales, jogos da Nintendo por exemplo, e assim vemos jogos de tabuleiro surgirem dentro dessas temáticas. Naquele tempo, a cultura pop envolvia agricultura, disputas militares, singles da Madonna… coisas do tipo.

Imagem: Mancala ancestral africana, representando o agro-comércio e o plantio de grãos na agricultura

Os jogos de tabuleiro representavam de maneira lúdica e divertida aspectos do dia-a-dia com a qual as pessoas poderiam se identificar. O xadrez é um excelente exemplo disso. Composto de personagens conhecidos por sua participação nos conflitos militares (sim, os bispos também iam pra guerra, mesmo que fosse só pra ficar dando buff pro pessoal com algumas orações) o xadrez ganhou muita popularidade por sua engenhosidade e complexidade. E falando nisso, ele é o próximo assunto.

Xadrez, a grande estrela

Sem dúvidas o jogo de tabuleiro mais popular dos últimos 800 anos, o xadrez reformulou o universo dos board games. Suas origens datam de cerca de 1.500 anos atrás, com um jogo indiano chamado Chaturanga. Em sua forma original, o Chaturanga podia ser jogado entre 2 ou 4 jogadores em um tabuleiro quadriculado e seu objetivo era muito similar ao do xadrez atual, GANHAR (brincadeira, o objetivo é derrubar o rei adversário).

Fonte: Chaturanga / Stock

Cerca de 100 anos depois que a popularidade do Chaturanga se espalhou pela Ásia, uma versão persa surgiu entre comerciantes muçulmanos que levaram o jogo consigo para os portos europeus. Chegando lá, sucesso! O jogo original sofreu diversas modificações e adaptações até que por volta de 1.415 D.C. o jogo se tornou essencialmente o xadrez que nós conhecemos hoje em dia.

Da Europa, pro mundo! O xadrez foi o primeiro jogo de tabuleiro (desde que o ser humano decidiu anotar as coisas pra não esquecer e criou a História) a receber campeonatos internacionais dedicados ao seu nome. Sua entrada para os jogos olímpicos chegou a ser cogitada durante os preparativos para Paris 1924, mas os organizadores desistiram da ideia pois ainda não havia uma organização bem estruturada nas ligas profissionais. Mesmo assim, o xadrez foi também o primeiro jogo, de tabuleiro ou não, a ser oficialmente considerado um esporte.

Jogos de tabuleiro modernos

Outras variantes surgiram a partir dos jogos de tabuleiro, como o baralho ou mesmo os RPGs de mesa, mas a premissa sempre foi basicamente a mesma: retratar de maneira lúdica e interativa aspectos cotidianos da vida popular.

A diferença dos jogos modernos para os ancestrais é a gama de variedades que nós temos atualmente como parte da nossa cultura pop. Zumbis, ficção científica, battle royales, pokémon, literatura “lovecraftiana” são aspectos presentes no universo geek, e a interação com eles é simplesmente divertida.

Essa diferenciação da realidade e a nossa capacidade atual de elaborar storytellings mais complexos criou uma infinidade de possibilidades dentro do universo dos jogos de tabuleiro.

Fonte: Ludopedia / Divulgação

O que o futuro promete?

E o futuro é ainda mais promissor! À medida que a tecnologia avança novas portas de exploração são abertas para os jogos de tabuleiro. Seja com boards interativos, aplicativos complementares no celular e até mesmo realidade aumentada, os board games do futuro prometem ser muito mais interessantes e envolventes do que qualquer coisa que já experimentamos até o momento.

E se você quiser ficar ainda mais ligado no que o presente e o futuro dos jogos de tabuleiro reserva pra você, não deixe de acompanhar nosso instagram pelo @universotabula. Lá você encontra novidades sobre os nossos jogos, fica sabendo sempre que um blog novo pintar na área e acompanha nosso lindo trabalho de storytelling.

É isso aí aventureiras e aventureiros, até a próxima!